Faltar à Terapia Fala Muito Sobre Você: O Que Seus Cancelamentos Revelam?
- Karla França
- 18 de mar. de 2025
- 2 min de leitura

Na psicanálise, o desejo do paciente é um dos motores do processo terapêutico. Diferente de uma abordagem que visa apenas eliminar sintomas, a psicanálise busca compreender os significados inconscientes por trás das questões trazidas pelo analisando. Para que esse caminho se construa, a presença constante na análise é fundamental.
O desejo de se conhecer e transformar não se sustenta apenas na vontade momentânea, mas na escolha reiterada de estar presente na sessão, mesmo (e principalmente) quando há resistência. Por isso, os reagendamentos frequentes e os cancelamentos podem impactar o processo de análise de formas que, muitas vezes, passam despercebidas pelo paciente.
Cada ausência interrompe um fluxo que se constrói na transferência entre paciente e analista. O não comparecimento pode ser uma manifestação do próprio inconsciente, uma forma de fuga ou resistência diante de conteúdos difíceis que começam a emergir. Ao mesmo tempo, pode revelar aspectos do desejo do paciente em relação ao seu tratamento: até que ponto ele está disposto a se comprometer com sua própria escuta?
Além disso, a regularidade das sessões estabelece um espaço de continência psíquica. Quando o encontro é adiado ou cancelado, perde-se um momento de elaboração e um suporte que poderia ser essencial naquele instante. Muitas vezes, a própria justificativa para o cancelamento pode conter elementos valiosos para o trabalho analítico, sendo um ponto de reflexão importante.
A análise não é apenas o que acontece na sessão, mas também aquilo que ocorre ao redor dela. O compromisso com o processo reflete um compromisso consigo mesmo. Por isso, mais do que um simples ajuste de agenda, a regularidade das sessões e a forma como lidamos com os reagendamentos dizem muito sobre nossa relação com nosso próprio desejo.



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