top of page

Analfabetos do sentir

Atualizado: 25 de ago. de 2024




A expressão "analfabetos do sentir" refere-se a pessoas que têm dificuldades em reconhecer, entender ou expressar suas próprias emoções e as dos outros. Esse "analfabetismo emocional" pode ser comparado ao analfabetismo tradicional, em que a pessoa é incapaz de ler ou escrever, mas neste caso, a pessoa é incapaz de "ler" ou "escrever" sentimentos e emoções.

De modo geral, o vício e o analfabetismo do sentir são uma via de mão dupla: um realimenta o outro numa constante permuta energética.

Ao analisarmos profundamente o conceito de vício, constatamos que ele não é somente o uso de tóxicos, de álcool, de produtos farmacológicos, de nicotina, ou a prática de jogos de azar. Ele também compreende as atitudes destrutivas: as de julgar, de seduzir, de culpar, de gastar, de mentir, de martirizar-se, de exibir-se, e outras tantas.

Portanto, um sujeito que se encontra sob a dependência de quaisquer substâncias, de pessoas, de situações e de comportamentos pode ser considerada viciada.

O vício e o "analfabetismo do sentir" estão ligados. Quem não sabe reconhecer ou expressar suas emoções pode acabar recorrendo ao vício como forma de escapar das tensões internas. Em resumo, quem tem dificuldade em entender suas próprias sensações tem uma maior chance de desenvolver algum tipo de vício ou dependência ao longo do tempo.

Não somos definidos pelo que os outros dizem ou pelo que pensamos de nós mesmos, mas pelo que sentimos. Sofremos porque não vivemos conforme nossos sentimentos e emoções, mas seguimos regras sociais e convenções que discriminam características sexuais, étnicas, culturais e religiosas.

A Natureza não age de forma diplomática ou em função de interesses pessoais. Os padrões da sociedade nunca conseguem capturar a essência do ser, pois essa essência ultrapassa os limites impostos pelas normas sociais.

A frase "Os padrões da sociedade nunca conseguem capturar a essência do ser" significa que as regras, normas e expectativas impostas pela sociedade não conseguem compreender ou definir plenamente a verdadeira natureza e individualidade de uma pessoa. A essência do ser é única e vai além dos rótulos e categorias estabelecidos pela sociedade, não podendo ser totalmente limitada ou explicada por esses padrões.

O sujeito analfabeto do sentir, em princípio não tem a menor ideia de como identificar e começar a lidar com seus sentimentos e emoções. Por isso, solicitar a ela que diferencie as suas muitas emoções é como pedir a uma criança de pouco meses de idade que não seja birrenta ou chorosa.

Raiva, tristeza, ansiedade, angústia, solidão, cansaço, medo, vergonha, carinho ou amor não lhe dão a impressão de ser sensações diversificadas; para ela todas se apresentam confusamente misturadas.

Sentimentos e emoções não são errados ou impróprios; são apenas energias emocionais, e não traços de personalidade. Não precisamos nos culpar por experimentá-los.

Afinal, admitir medo ou raiva diante de fatos é perfeitamente compreensível, porque a energia da raiva nos proporciona um “estado de alerta”, para que possamos nos defender de algo ou de alguém, enquanto o medo é um mediador favorável diante de “situações de risco”.

Por exemplo, sentir inveja é muito diferente do agir com base nela. Não é porque temos eventuais crises de inveja que devemos ser considerados indivíduos “maus”; sentir inveja não é o mesmo que roubar, lesar ou causar dano a alguém. Da mesma forma, quando registramos súbitas sensações de compaixão e generosidade, também não podemos ser chamados de pessoas plenamente bondosas. Sentimentos e emoções nos guiam e nos fornecem indicações importantes para nossa vida de relação.

Se não os sentimos, não conseguimos refletir sobre os pensamentos que os acompanham e perdemos a capacidade de entender o que nosso íntimo está tentando nos comunicar.

Podemos identificar sentimentos e emoções em níveis diversos de intensidade, de acordo com nosso grau de evolução, conceituando cada um com nomenclaturas diversificadas.

A propósito, fazem parte da mesma família do impulso da raiva: o melindre, a irritação, a mágoa, o ódio, a violência, a crueldade, bem como a bravura, o arrebatamento, o entusiasmo, a persistência, a determinação, a coragem.

Há inúmeras sensações emocionais, eis algumas nuances e variações do nosso sentir:

Tristeza + amor = saudade .

Tristeza + raiva = mágoa ou irritação .

Alegria + amor = ânimo .

Alegria + medo = ansiedade ou insegurança .

Medo + raiva = depressão ou desânimo .

Medo + tristeza = solidão .

Medo + alegria = vergonha .

Amor + medo = ciúme .

Amor + raiva = vingança .

Medo + orgulho = timidez .

Raiva + orgulho = desprezo .

Precisamos começar a desenvolver nossa própria educação do sentimento, aprendendo o que e como sentir.

Tornamo-nos emocionalmente educados quando nos permitimos sentir todas as sensações energéticas que partem do nosso universo interno, livres de julgamentos precipitados e de qualquer condenação, pois os sentimentos são bússolas que nos norteiam os caminhos da vida.

Assim como o vício e o analfabetismo do sentir andam de mãos dadas, da mesma forma se potencializam mutuamente a sanidade mental e a educação emocional.

Para que possamos adquirir um coração apaziguado e uma mente tranquila, devemos aprimorar nossa leitura interna, compreendendo o que os sentimentos querem nos dizer e utilizando-os apropriadamente para cada fato ou situação devemos aprender a “escutá-los” adequadamente.


Características dos "Analfabetos do Sentir": Falta de Consciência Emocional: Essas pessoas muitas vezes não conseguem identificar o que estão sentindo. Podem experimentar emoções intensas, mas têm dificuldade em nomeá-las ou entender suas causas.

Dificuldade em Expressar Emoções: Mesmo quando conscientes de seus sentimentos, podem ter dificuldades em expressá-los de maneira saudável, resultando em comportamentos inadequados ou em silêncio emocional.

Empatia Reduzida: Pessoas que são "analfabetas do sentir" frequentemente têm dificuldade em compreender ou se conectar com as emoções dos outros. Isso pode levar a relacionamentos superficiais ou conflitantes.

Repressão Emocional: Pode haver uma tendência a reprimir ou negar sentimentos, muitas vezes por medo de parecer vulnerável ou de enfrentar a dor emocional.


Causas Potenciais:

Educação e Cultura: Em muitas culturas, expressar emoções, especialmente as consideradas "fracas" como tristeza ou medo, pode ser desencorajado, levando ao desenvolvimento de uma "analfabetização emocional".

Experiências de Vida: Traumas emocionais ou um ambiente familiar que não valida emoções podem contribuir para o desenvolvimento desse analfabetismo emocional.

Desconexão Espiritual: Em uma perspectiva espiritual, a desconexão com o eu interior e a falta de autoconhecimento podem resultar em dificuldades para entender e expressar emoções.


Consequências:

Problemas de Saúde Mental: A incapacidade de processar emoções pode levar a ansiedade, depressão e outros transtornos psicológicos.

Dificuldades nos Relacionamentos: A falta de compreensão e expressão emocional pode causar conflitos e afastamento nos relacionamentos pessoais e profissionais.

Vida Sem Sentido: A desconexão emocional pode levar a uma sensação de vazio e falta de propósito, já que as emoções são fundamentais para a experiência humana.


Caminhos para a Alfabetização Emocional: Desenvolvimento da Consciência Emocional: Aumentar a consciência sobre as próprias emoções por meio de práticas como a meditação, reflexão e terapia.

Aprendizado Emocional: Educação emocional, seja através de leituras, cursos ou acompanhamento terapêutico, pode ajudar a desenvolver a capacidade de identificar, entender e expressar emoções.

Prática da Empatia: Esforçar-se para entender as emoções dos outros, colocando-se no lugar deles, pode fortalecer a inteligência emocional.

Expressão Saudável: Aprender a expressar emoções de maneira assertiva e saudável, evitando tanto a repressão quanto a explosão emocional.

O "analfabetismo do sentir" é um desafio que impede as pessoas de viverem plenamente suas emoções e de se conectarem verdadeiramente com os outros.

Desenvolver a alfabetização emocional é um passo crucial para uma vida mais equilibrada, saudável e significativa, permitindo uma maior conexão consigo mesmo e com o mundo ao redor.

Olhamos e admiramos o Universo a um só tempo com nossas percepções interiores. O valor real de um sentimento ou emoção pode ser aferido pela constância, determinação e hábitos que revelamos para interpretá-los.

A consistência emocional cria um espaço seguro onde as pessoas podem se conectar genuinamente e cultivar espaços duradouros

 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page